Abraão – Obediência Irrestrita

“E por que me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu digo?” (Lc 6.46)

Toda pessoa precisa decidir, em algum momento de sua vida, se quer confiar em Deus ou não.
Até o momento da decisão, sua fé será o ponto de partida, conforto e encorajamento. Mas Deus
com certeza testará nossa conduta, e o teste de Deus pode conter exigências aparentemente
absurdas. A provação forçará a pessoa ou a seguir o raciocínio humano e abandonar a orientação
divina, ou abandonar o raciocínio humano e seguir a orientação de Deus. Falo de um Deus e do
teste que não tolera concessões. A pessoa tem que optar entre seu caminho e o caminho de Deus.
Entre segui-lo ou abandoná-lo. Vemos isso também nas palavras do meigo Salvador quando disse:
“Quem não é comigo é contra mim; quem comigo não ajunta espalha” (Mt 12.30). Com Deus não
existe meio termo, ou se está com ele ou contra ele.
Chamado para obedecer
Quero citar o exemplo de Abrão, mais tarde chamado de Abraão pelo próprio Senhor, que
enfrentou muitas provas, e na maioria das vezes exigia uma decisão radical. Quando tinha 75 anos,
Deus pediu-lhe que saísse de sua casa, que deixasse para trás a casa de seu pai, sua terra e seus
amigos e vizinhos. Deus ordenou-lhe que abandonasse o conforto de Ur e viajasse sem roteiro
definido para a terra que lhe mostraria (Gn 12.1). Com a ordem, veio também à promessa de muitos
descendentes e a oportunidade de ser benção para todo o mundo por meio dessa descendência que
resultou no Salvador, a saber – CRISTO JESUS. Sem a mínima hesitação, Abraão obedeceu. Deus
conduziu Abraão e sua esposa para a terra à qual os havia chamado, porém pareceu tardar em
cumprir a segunda promessa. Sara não podia gerar filhos quando mais jovem, pois era estéril.
Agora tinha mais um obstáculo para o casal, a idade avançada. Quando Isaque milagrosamente
nasceu, Abraão estava com cem anos de idade, e sua esposa, Sara, com noventa.
Crendo no impossível
Muitos anos se passaram, e Deus fez mais um pedido ao seu servo. Dessa vez, no entanto,
conduziu Abraão ao imaginável – sacrificar o próprio filho, Isaque, sobre um altar. À primeira
vista, tal ordem parece proceder de um Deus desequilibrado e totalmente maluco. Mesmo assim, o
velho e já cansado Abraão, obedeceu. Por quê? Porque ele cria que, oferecendo o filho sobre o altar,
Deus de alguma forma ressuscitaria o menino (Hb 11.19). Deus já havia permitido que Sara gerasse
Isaque em idade avançada. Abraão tinha em mente que, se Deus era capaz de produzir vida nova
em corpos velhos como os de Abraão e Sara, podia também devolver de alguma maneira a vida de
Isaque. Abraão tinha certeza que “(…) mas para Deus todas as coisas são possíveis” (Mt 19.26).
Abraão, homem de fé
Sabemos que Abraão não chegou a cravar a faca no peito do filho. Em vez disso, Deus
providenciou um cordeiro para o sacrifício (Gn 22.13). Por que então o Senhor disse a Abraão para
construir um altar, amarrasse o menino e o colocasse sobre o mesmo? Para testar a fé de seu servo?
Queria Deus saber se Abraão confiaria nele quando a pessoa que mais amava estava envolvida?
Não! Claro que não! Como o Senhor Deus sabe de todas as coisas, penso que Ele queria mostrar
para o mundo todo como é ser obediente de maneira irrestrita, ou seja, sem limites. Como é de
nosso conhecimento, Abraão passou no teste da obediência. De fato, sua confiança em Deus, levou
o apostolo Paulo, outro homem de fé e também obediente, a chamá-lo de homem de fé (Gl. 3.9).
Aprendendo a ouvir a voz de Deus
Admirar a fé do patriarca Abraão é uma coisa. Imitá-la é algo bem diferente. Seguir seus passos
significa OUVIR A ORIENTAÇÃO de Deus. Na mente de Abraão, estava claro o que Deus queria
que ele fizesse. As pessoas de hoje, mas precisamente nós cristãos, inclusive nossos líderes,
precisam aprender a ouvir a orientação de Deus na leitura diária da Bíblia e na oração. Quanto ao

aspecto moral, a instrução de Deus é geralmente muito clara. Ele nos diz o que devemos fazer. Para
começar devemos amá-lo, amar o próximo e honrar os pais. Perceber a orientação divina em outras
áreas nem sempre é fácil e pode exigir muita oração e sensibilidade. Mas a pessoa que busca a
orientação divina irá exercitar-se na disciplina necessária para sintonizar-se com a vontade de
Deus.
Conclusão
Uma vez convictos da direção de Deus, não tenhamos dúvidas que enfrentaremos muitos testes.
Como Abraão, devemos seguir imediatamente as orientações do Senhor. Quando Deus ordenou a
Abraão que deixasse sua terra onde vivia e seus parentes, ele deixou (Gn 12.1,4). Quando Deus
exigiu o sacrifício de Isaque, Abraão obedeceu sem vacilar (Gn 22.2,3). Qual o segredo do
patriarca? O segredo era a convicção de que o propósito de Deus para sua vida fosse qual fosse,
seria sempre melhor que qualquer plano que ele, Abraão, pudesse conceber. Nossas ações, mais
que nossas palavras, revelam o que cremos a respeito de Deus. Abraão demonstrou sua fé em Deus
por meio de suas ações. E nós? Estamos dispostos a fazer o mesmo? Será que nossa fé, nossa
fidelidade, nossa convicção e nosso amor a Deus são capazes de nos fazer obedecê-lo em qualquer
de seus pedidos? Ou passar por testes que a mente humana jamais pensou?

Célio Roberto
AD Vila Espanhola – São Paulo – SP

Célio Roberto

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