Estêvão e o Eficiente Sermão

“Ali apresentaram falsas testemunhas que diziam:… Pois o ouvimos dizer que este Jesus, o Nazareno
destruirá este lugar e mudará os costumes que Moisés nos deixou” (Atos 6.13-14)
Especialistas em pregação e comunicação da atualidade talvez leiam esse texto e concluam que
Estêvão pregou o sermão errado para o público errado na hora errada. Isso porque, quando
terminou de falar, a multidão o apedrejou de forma selvagem e cruel. Na maioria das vezes, a
repercussão de uma pregação não é determinada pela reação do publico que a ouve de primeira
mão. Pesquisas de opinião pública podem até indicar como as pessoas se sentiram sobre o que foi
dito pelo pregador, mas jamais poderão detectar se a mensagem atingiu seu propósito desejado.
O sermão de Estêvão nos proporciona um grande exemplo de pregação eficiente. Em primeiro
lugar, Estêvão confiou em Deus. Ele era um homem cheio do Espírito Santo e Sabedoria (At 6.8), e
representava o Senhor, tanto nas palavras como nos atos. Mesmo não sendo fácil enfrentar um
publico tão beligerante, o Espírito de Deus deu força a Estêvão para que o fizesse.
Estêvão tinha clareza do que queria dizer, e comunicava isso com muito entusiasmo. Ele
demonstrou as suas convicções por meio de uma abrangente e
inteligente recapitulação do registro histórico da Bíblia. Ele foi
tão eficiente no que pregava que, seus opositores não
conseguiam reagir de madeira racional. Afinal de contas, Estêvão
tinha fundamentado muito bem a sua mensagem com todos os
aspectos bíblicos, condenando desta maneira os opositores de
Deus. Sem alternativas, seus oponentes, motivados pelo ódio
foram levados a silenciá-lo para sempre. Estêvão é mais uma vítima de inveja e mentiras (At 6.8-
14).
No seu longo sermão, Estevão mostra que tem conhecimento bíblico, conhecimento do público
que o ouvia, habilidade para entregar a mensagem e unção do Espírito. No sermão pregado aos
mestres e juízes, bem como a todo o povo que o ouvia, ele não faz menção de “Jesus” ou de
“Cristo”. O que parece uma simples aula de história, fica mais que evidente que ele exalta a Jesus e
mostra que ele é o MESSIAS. Ele usa a história do seu próprio povo, para provar a seus ouvintes
que Jesus é o Cristo enviado de Deus. A pregação de Estêvão é extremamente significativa, porque
o Antigo Testamento parece vazio de conteúdo cristológico, mas ele mostra que não é. À primeira
vista, estas histórias bíblicas, são aparentemente um descaracterizado deserto para o aspirante a
pregador de Cristo. Mas para Estêvão não, ele era o tipo de pregador que sabia o que pregava, pois
tinha conhecimento.
Estêvão começa lançando um alicerce, qual seja, a promessa feita por Deus a Abraão e selada
pelo “pacto da circuncisão” (At 7.2-8). Estêvão lembrar-lhes que a essência da nacionalidade
judaica jaz em serem herdeiros desta promessa. Como sabemos, a promessa de Deus a Abraão
culmina na “semente” ou “descendência” por meio da qual todas as nações da terra seriam
abençoadas – e a referida semente é Cristo (Gl 3.16). Estêvão também lança mão de José (At 7.9-
14) e relata que José foi invejado e rejeitado por seus irmãos. Além do mais, mostra que José foi
levantado por Deus a um alto ofício no Egito, tornando-se o “salvador” do mundo, inclusive
salvador de sua família. Relata também sobre Moisés (At 7.20), e aponta que Moisés foi negado
pela nação, mas sublinha que “… Este Moisés, o qual haviam negado… a este enviou Deus como
príncipe e libertador (At 7.35). Não Resta dúvida, que nesse ponto, seus ouvintes já estavam
“pegando” a mensagem.
A denúncia final de Estêvão cita a rejeição dos judeus aos profetas, “que anteriormente
anunciaram a vinda do JUSTO” (At 7.52). Isto, dizia Estêvão, culminou em seu crime supremo – a
rejeição, traição, e morte do Libertador de quem os profetas falaram. Depois de mostrar Cristo nas

Estêvão, homem cheio da graça e do poder de
Deus, realizava grandes maravilhas e sinais entre
o povo… Contudo, levantou-se oposição… Mas
não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito com
que ele falava (At 6.9,10).

“entrelinhas” em seu poderoso sermão, não sabemos o que Estêvão tencionava dizer. É quase
certo que, como Pedro, ele teria continuado a declarar que, apesar da impiedade dos judeus, Deus
ressuscitou Jesus dos mortos e O fez “Senhor e Cristo”, e em seu nome eles poderiam receber o
“perdão dos pecados” e o “dom do Espírito Santo” (At 2.36-38).
Os ouvintes de Estêvão eram versados nas
Escrituras, e entenderam as implicações
messiânicas na mensagem. O tema
dominante deste sermão, foi a denuncia de
inveja e rejeição direcionadas aos
escolhidos de Deus por seus irmãos judeus através de toda história – começando por José (At 7.9)
e terminando com o Senhor Jesus. Quando ele chama os presentes de traidores de Deus e
assassinos de Cristo Jesus, a coisa ficou feia. Foi aí que caiu a gota d’água que faltava. Neste
momento, seus oponentes depois de ouvir toda a verdade contra eles, e não tendo argumento
racional para confrontar a mensagem, “ficaram furiosos e rangeram os dentes contra ele…
arrastaram-no para fora da cidade… começaram a apedrejá-lo” (At 6.15; 7.58).
Fico “impressionado” com a maioria dos pregadores da atualidade. A maioria deles, tenta
determinar o que o público quer ouvir e depois transmite tal mensagem. Realmente, bons
oradores adaptam o seu discurso ao público, mas pregadores da verdade de Jesus, cheios de
humildade e sabedoria, dizem às pessoas o que elas precisam ouvir para o próprio bem delas,
mesmo que essa mensagem não seja tão popular. Como demonstra o discurso de Estêvão, sermões
impopulares precisam ser bem fundamentados na Bíblia, ou tanto a mensagem quanto o
mensageiro perderão a credibilidade. Mas, nas ocasiões em que o pregador precisa transmitir uma
mensagem não muito agradável, ele pode contar com a força e poder que está disponível no
Espírito Santo de Deus. Poder que criou os céus, os anjos, que laçou no espaço, a terra, a lua, todos
os astros e estrelas.
Além disso, lemos que o Senhor Supremo, e também Juiz de tudo e de todos, que está sentado
direita do Pai (Cl 3.1), ficou tão satisfeito com Estêvão e sua mensagem, que estava em pé, para
testemunhar contra seus acusadores e recebê-lo em seu Reino e lar definitivo (At 7.55,56).
Mensageiros que procuram “agradar” pecadores atolados em seus pecados e mentiras, não
passam de falsos mestres. Já seus ouvintes praticantes, são apenas “crianças” tolas. Busquemos a
Jesus que é “o caminho, e a verdade e a vida” (Jo 14.6).

Célio Roberto
Assembléia de Deus – Vila Espanhola – São Paulo – SP

Célio Roberto

Célio Roberto


Deixe um comentário

Your email address will not be published. Required fields are marked *