João Batista – O Evangelista da Verdade

“Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura?” (Mt 3.7).

Apesar de João ser apresentado ao leitor pela primeira vez, Mateus não informa absolutamente
nada sobre sua origem. Apenas diz “Naqueles dias apareceu João Batista pregando no deserto da
Judéia” (3.1). João é denominado expressamente de o “batista”. O cognome não é encontrado em
parte alguma do Antigo Testamento. No Antigo Testamento fala-se de João como um “anjo”, “o que
prepara o caminho”, “o que clama alto”.
O cenário naqueles dias
O cenário em Israel não era dos melhores nos dias de João (Mt 3.1). Ali tinham os romanos, os
fariseus, os saduceus, os escribas, partidos políticos, governantes corruptos, e muita gente
pecadora. Todos buscavam seus próprios interesses. Não quero detalhar o cenário religioso
daquele momento, mas quero falar um pouco sobre os saduceus. Os saduceus eram os liberais.
Eram os livres pensadores incrédulos, que negavam a doutrina da existência dos anjos, a
ressurreição e o juízo, mas promoviam a imoralidade espiritual. A maioria deles fazia parte da
nobreza sacerdotal. Esses homens malignos souberam também se apoderar da maior parte das
terras nobres em Israel. Os dominadores romanos consentiam as escondidas, dentro de certos
limites, que os saduceus conservassem a posição do poder. Só para se ter uma idéia do cenário
religioso daqueles dias, o sumo sacerdote do tempo de Jesus e Paulo era saduceu. Eles dominavam
o Templo e sentiam-se donos de tudo. Em geral, esses dominadores religiosos, eram voltados ao
prazer, e o conteúdo de sua confissão está contido nas palavras “comamos e bebamos, pois amanhã
estaremos mortos”.
João Batista qualifica o povo judeu como pagão
Naqueles dias apareceu João. Ele chega. Vem para perto. Ele vê. João não viveu na comunidade
daquele povo antes de iniciar seu poderoso ministério, mas veio de fora dela, do deserto, como
lemos em Lucas (1.80). Estava no deserto até o dia de seu aparecimento em público. Quando ele
entrou no cenário viu coisas horríveis. Ele estabeleceu o batismo para os judeus. O que significa o
batismo de João? O batismo era bem conhecido dos judeus, ao lado de outros batismos. O batismo
tinha o sentido de lavagem ou banho religiosos. Esse batismo não era para os próprios judeus, mas
para os pagãos que queriam passar para o judaísmo. Mas João como arauto do Rei vindouro e de
seu reino, considerava o batismo junto à confissão de pecados como condição única e necessária
para o ingresso no reino dos céus. Defendia-o a partir da convicção de que o atual povo de Israel
tornou-se um acampamento de impuros, sim, é preciso dizer, um REDIL DE PAGÃOS. Foi baseado
nisso que João desenvolveu uma pregação inaudita, cheia do poder e autoridade de Deus, e
incrivelmente dura. Ao exigir o batismo para judeus, João coloca a nação de Israel inteira no
mesmo nível dos pagãos indignos, que na verdade, eram tidos pelos judeus como a escoria da
humanidade, miseráveis, ralé de criminosos, assassinos e devassos. Agora temos uma idéia do
batismo para todos, e da pregação tão enérgica contra o pecado.
O local da pregação
Outra coisa muito interessante, é que João, não se vestia ricamente. Não pregava nas sinagogas
deles. O local da pregação do batizador e pregador também não era o Templo com seu culto
ricamente elaborado, equipado com todos os seus meios de expiação, ou acompanhado de um
bom coral de levitas. Não, o Templo não era o local da pregação de João, era sim, no deserto e
lugares ermos que João pregava. Isso era impressionante e revolucionário, um pregador que
pregava no deserto, local próximo de Jericó. Foi no deserto da Judéia que a “Voz do deserto”
começou a bradar com força: “Arrependei-vos, já o reino dos Céus é chegado” (Mt 3.2). Ali João
Batista pregava denunciando os pecados na nação. Sim, é para lá, para o deserto, que o povo

deveria ir. O deserto da Judéia, era uma região árida e estéril. Área que se estendia uns 32 km do
planalto Jerusalém – até o rio Jordão e mar morto. Talvez o lugar onde João morava (Lc 1.80). O
povo de Qumran (muitas vezes associados aos rolos do mar Morto) também morava nessa região.
Uma pregação incrivelmente dura
Junto com o batismo, João “anuncia” a palavra da conversão. Ele usa “convertei-vos”, ou seja, dai
“meia volta”. Ele denunciava o pecado. A conversão é a condição para quem deseja entrar no
Reino. Ele estava no deserto. Sua vestimenta era apenas o pelo de camelo. Ele não precisa de nada
daquilo que os outros precisavam. Cuja vestimenta se constituía numa flagrante ofensa às leis de
pureza dos judeus. Gafanhotos era seu alimento. Esse tipo de alimento também contrariava os
costumes da vida normal em Israel. Tudo, “palavra, pessoa, pregação e vivencia”, formavam um
único sinal que incitava a conversão. João, sem medo de nada e de ninguém, prega duro. Ele prega
o batismo, a conversão, e à marteladas, o conteúdo de sua pregação destroça toda segurança e
proteção dos fariseus e saduceus diante de seus próprios olhos. João chama os saduceus e fariseus
de “ninhada de serpentes, semente de cobras, antro de víboras. Semente de víboras é o que vocês
são”, dizia João, “e não o que presumem, semente de Abraão!” (Mt 3.7-9). Para cada israelita, essas
palavras eram arrasadoras. João continua dizendo: “Já está posto o machado à raiz das arvores,
toda arvore, pois, que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo” (Mt 3.10).
Conclusão
Admiro esse homem simples, mas homem de Deus. Homem que tinha um compromisso com
Deus. Que combatia o pecado sem medo de nada. Hoje o que se vê, são “pregadores” coniventes
com o pecado. Passando “pano quente” em pecadores viciados em pecar. O que mais tem, são
pastores e pregadores sem nenhuma autoridade, pois eles próprios estão envolvidos de alguma
forma com o pecado e não com Deus. Que o Senhor “levante” hoje pregadores que, cheios de
sabedoria e autoridade divina, combatam o pecado com mais rigor.

Célio Roberto
AD – Vila Espanhola – São Paulo – SP

Célio Roberto

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