Alegrai-vos no Senhor… Sempre!

“Regozijai-vos, sempre, no Senhor; outra vez vos digo: regozijai-vos (Filipenses 4.4).

     Às vezes me ponho a pensar: como pode existir na Bíblia uma ordem assim?! Alegrai-vos, sempre, no Senhor? O mundo em que vivemos é mestrado em nos trazer problemas, aflições, e tantas outras coisas que nos causam grandes tristezas. E quantas vezes não choramos de tristeza? A tristeza é um sentimento ruim. Quando Paulo recebeu de Deus instruções para escrever as palavras que iniciei este escrito, estava preso em Roma. A igreja de Filipos havia enviado Epafrodito com alguns presentes para Paulo durante seu aprisionamento (Fp 4.18). Enquanto estava ali, Epafrodito ficou gravemente doente e quase morreu. Mas, o Senhor devolveu sua saúde, e recuperado levou a carta que hoje conhecemos como “carta aos Filipenses” aos crentes de Filipos (Fp 2.25-30). Não faltavam motivos para que Paulo ficasse triste. Preso injustamente estava longe dos irmãos a quem tanto amava. Cheio de saudades das igrejas por onde passou e fundou. O apóstolo também tinha outras dificuldades durante o período em que esteve na prisão. Assim estava o pastor Paulo nos dias em que escreveu Filipenses. E foi nessas circunstâncias que aquele experiente pastor escreveu “regozijai-vos, sempre, no Senhor; outra vez vos digo: regozijai-vos (Filipenses 4.4).

     Os que estudam com um pouco mais de dedicação o Novo Testamento, logo descobrem quão importante livro de alegria ele é. No Novo Testamento o verbo chairein, que significa alegrar-se, ocorre setenta e duas vezes, e a palavra chara, que significa alegria, aparece sessenta vezes. A saudação grega normal, tanto na conversa quanto nas cartas, é a palavra chairein, e é geralmente traduzida por “Saudações!”. Foi assim usada na carta dirigida a Félix a respeito de Paulo, escrita pelo oficial romano Cláudio Lísias (At 23.26). Se fosse colocada em prática a tradução integral e literal da palavra chairein, o resultado seria: “A alegria seja contigo!”. Não é simples nem fácil viver uma vida alegre, assim como não é simples nem fácil amar os inimigos. Mas, é possível sim, quando estamos em comunhão com nosso Senhor. Quando o Senhor foi crucificado e morto, a tristeza veio como um manto sobre aqueles discípulos. Mas, na manhã da ressurreição, a saudação de Cristo para aquelas mulheres que tinham vindo lamentar sua morte no túmulo foi: “Eu vos saúdo”, ou seja, “chairõ”, que quer dizer: “A alegria seja convosco” (Mt 28.9). Naquele momento, num instante, a tristeza foi desfeita e a alegria passou a habitar no coração daquelas mulheres. Somente Jesus pode nos proporcionar a verdadeira alegria.

     Quando a Igreja cristã resolveu no concilio de Jerusalém que a porta da Igreja de Deus seria aberta para os gentios, os líderes daquela Igreja enviaram aos cristãos gentios da Síria, Antioquia, e Cilícia uma carta informando-os a respeito daquela grande decisão, e a carta começa com: “chairein”, ou seja, “a alegria seja convosco” (At 15.23). Uma decisão histórica havia sido tomada, e agora estava sendo publicada aos povos. A decisão era que a porta para a alegria cristã estava aberta a todas as pessoas do mundo. Quando Tiago escreveu para os cristãos dispersos pelo mundo, inspirado pelo Espírito de Cristo, ele começa a carta com as seguintes palavras: “a alegria seja convosco!” (Tg 1.1). Num mundo cheio de dificuldades, sendo odiados e perseguidos, a ordem de Deus para seu povo não era de tristeza, mas sempre de alegria. Quando Paulo escreveu a segunda carta aos Coríntios, uma das últimas palavras aos amigos e irmãos daquela igreja foi: “A alegria seja convosco, irmãos!” (13.11). Não importava as dificuldades que estavam passando, ou o grau da perseguição. O incentivo e a ordem do dia para os crentes eram sempre os mesmos: Alegrai-vos no Senhor. Como estamos vendo, não é difícil entender que a alegria é a atmosfera distintiva da vida cristã.

     Quando resolvemos gastar nosso tempo lendo e estudando a Bíblia, ao invés de perdê-lo com coisas fúteis e inúteis como televisão, internet e coisas semelhantes, descobrimos coisas maravilhosas que nos deixam com o coração alegre. O simples fato de escrever estas linhas, meu coração fica alegre. Quando alguém se aproxima de Cristo ouvindo suas palavras, ou lendo sobre os seus feitos, com certeza essa pessoa fica cheia de alegria. Foi com alegria que Zaqueu recebeu Jesus em sua casa (Lc 19.6). Os tessalonicenses receberam a palavra com alegria (1 Ts 1.6). Repetidas vezes o livro de Atos deixa claro que a alegria veio aos homens quando o Evangelho chegou entre eles. A pregação de Felipe trouxe uma grande alegria para Samaria (At 8.8). Depois do seu batismo, o eunuco etíope, foi seguindo seu caminho cheio de júbilo (At 8.39). É bem verdade que nem todos aceitavam a Palavra da Salvação, mas, aqueles que aceitavam sentiam a alegria de Cristo. Não tenho dúvidas de que o Evangelho de Jesus é a fonte da verdadeira alegria para todas as pessoas e em qualquer lugar do mundo. A Bíblia registra em Atos (13.48), que havia alegria em Antioquia e Pisídia quando os gentios ouviram que o Evangelho estava para sair da sinagoga e chegar até eles.

     Biblicamente, chego à conclusão de que a história do Evangelho de Jesus começa e termina com alegria. Foram novas de grande alegria que os anjos trouxeram aos pastores quando Jesus nasceu (Lc 2.10). Os sábios também se alegraram muito quando viram a estrela que lhes contou sobre o nascimento de nosso Senhor e Rei (Mt 2.10). Como é visto, o início foi marcado pela alegria. Quem conhece o ministério do Senhor, sabe que o mesmo foi voltado a dissipar a tristeza causada pelo pecado, e em lugar da tristeza a alegria da salvação. Na manhã da ressurreição as mulheres voltaram do túmulo após o encontro com o Senhor ressurreto, em temor e grande alegria (Mt 28.8). Quando o Senhor ressurreto se apresentou entre os discípulos, eles nem podiam acreditar por causa de tanta alegria (Lc 24.41). Fica mais que claro pelas Escrituras, que os últimos dias do Senhor aqui na terra foram marcados pela alegria. Lucas registra os fatos, e diz que, após a Ascensão, os discípulos voltaram para Jerusalém com grande alegria (Lc 24.52).

     A história do Evangelho começa, continua e termina com grande alegria para aqueles que servem a Jesus. Veja o que está escrito no Salmo 30.5: “O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã”. A alegria do Salmo 30.5 é “rinnah” e significa um brado de júbilo; aclamação; forte aplauso de triunfo; canção. Rinnah descreve um tipo de brado alegre no momento de uma grande vitória.                               

Célio Roberto

celio.roberto@uol.com.br

AD – Vila Espanhola – São Paulo – SP

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