PREGACAO EXPOSITIVA: SEU VALOR E CONTEMPORANIEDADE

PREGACAO EXPOSITIVA: SEU VALOR E CONTEMPORANIEDADE

 

“Prega a Palavra, insiste a tempo e fora de tempo, aconselha, repreende e encoraja com toda paciência e sã doutrina”. 2 Tm. 4:2.

 

         Estamos vivenciando tempos em que a igreja está se esquecendo da palavra de Deus. Haja vista, o surgimento de várias denominações com suas peculiaridades, as quais estão deixando o povo confuso com o que está sendo apresentado como evangelho.

       Muitos templos lotados e seus líderes estão totalmente desinteressados em transmitir a verdade que está na palavra de Deus, fazendo com o que os egos sejam inflados com profecias de bênçãos e milagres, muitas vezes mentirosos.

Todavia há um povo que quer voltar ao início de quando a palavra tinha maior importância em nosso meio. Este foi o motivo pelo qual nos interessamos pelo assunto da pregação expositiva. Muitos teólogos consideram-na como um dos métodos principais de pregação da palavra.

          O pastor presbiteriano, Hernandes Dias Lopes, um dos principais pregadores expositivos do Brasil nos esclarece algo a este respeito: “A pregação expositiva não é apenas um estilo de sermão, mas refere-se essencialmente ao conteúdo. Pregação expositiva é pregar a palavra de Deus, não sobre a palavra de Deus”. Pastor Hernandes também nos diz que existem três verbos que nos ajudam a pregar expositivamente, são eles: Ler o texto, Explicar o texto e Aplicar o texto.

Quando estamos familiarizados com o texto, evitamos comentários que podem afetar a nossa preleção e a consequente falta de segurança e de credibilidade por parte dos ouvintes. Ao explicarmos o texto devemos, ciente de uma exegese bem embasada e alocada na própria Bíblia, expor aos ouvintes o que texto diz referente a uma época, situação e contexto. A visão própria do pregador ou sua interpretação sem amparo devido (eisegese) pode comprometer a base do que deve ser transmitido. A aplicação do trecho que está sendo pregado é um fruto precioso da boa condução dos dois últimos itens. A aplicação bíblica é a conversa do texto com a igreja e com a sua necessidade hoje. As lições vividas e enfrentadas pelo homens e mulheres da Bíblia conversam com a nossa urgência e demanda no aspecto fé.

 

Pregação Expositiva e o Antigo Testamento  


    Na Bíblia, mais precisamente no AT, podemos identificar alguns personagens que deram ênfase à exposição da palavra de Deus para seu povo impactando uma geração e conduzindo-a de modo a atender os desígnios e mistérios de Deus para uma época.

    Na segunda carta do apóstolo Pedro, capitulo 2 versículo 5, Nóe é chamado de pregador da Justiça. De igual modo, Deus usou o profeta, sacerdote e sábio para que o povo não deixasse sua Lei, porém muitos não lhes davam ouvidos (Jr. 18:18).

    Não poderíamos deixar de lado o líder Moisés, o qual também foi considerado um expositor da palavra. O livro de Deuteronômio foi considerado um Sermão pelo fato de conter Discursos de chamado para a renovação da aliança do Povo para com Deus (Dt. 31:10-12). No mesmo livro, 4:1(a) Moisés disse: “Agora, portanto, ó Israel, ouvi as leis e as instruções que eu hoje vos ensino a praticar…”

Mais adiante, no AT, Samuel chamou o povo ao arrependimento em 1Sm 7:3 – “E aconteceu que Samuel declarou a toda a Casa de Israel: Se é de todo o vosso coração que desejais voltar-vos para Yahweh, tirai imediatamente do meio de vós os deuses pagãos, estrangeiros e todas as imagens da deusa Astarote! Dedicai inteiramente o vosso coração ao Senhor e adorai somente a Ele. Então Ele vos livrará da mão dos filisteus!”

Outro grande exemplo, que no poderia ficar de fora, e pode ser considerado um exímio pregador expositivo é Esdras, mestre e sacerdote também. No trecho de Esdras 7:10 está registrado: “Porquanto Esdras havia disposto todo o seu coração a conhecer a Torá, Lei de Yahweh, o SENHOR, a praticá-la, e a ensinar em Israel os seus decretos e mandamentos”. Dentro deste contexto de Esdras, no livro de Neemias 8:1-8 temos uma noção do impacto de sua mensagem para a época pós-cativeiro. Vejamos apenas o último versículo: “Leram o Livro da Torá, Lei de Deus, interpretando-o e explicando-o, a fim de que todos os habitantes da cidade pudessem compreender bem os ensinos e prescrições que ouviam”.

    O Antigo testamento é marcado pela tradição oral de um povo que fora escolhido por Deus. Com base nesta tradição, podemos observar que a sobrevivência deste povo, assim como suas tradições e preceitos, ora pela Lei, ora pelos Profetas ou livros sapienciais passam pela reafirmação e propagação da mensagem de Deus. A identidade deste povo é construída a partir dos desígnios presentes na palavra de Deus.

A mensagem expositiva dentro de um contexto micro (povo judaico) é expandida para os nossos dias e podemos, com base neste breve estudo, afirmar que nossa identidade como igreja cristã, inserida no século 21, precisa de um resgate de uma mensagem genuína e estritamente ligada à história de Deus e Sua oferta de redenção ao homem. Voltemos à palavra, seja devocional ou sistematicamente.

 

 

“Esta matéria foi publicada no exemplar impresso deste jornal e eu gostaria de que constasse também nesta nova fase do Jornal Nosso Setor. Espero que tenham gostado da parceria com o Pastor Natanael Marcos de Lima.”

Deus os abençoe!

Jhonatas Weslley

Jhonatas Weslley


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