O QUE É AUTOMUTILAÇÃO

A automutilação pode ser definida como qualquer comportamento intencional envolvendo agressão direta ao próprio corpo. Esse comportamento é repetitivo, chegando, em alguns casos, a mais de 100 vezes em um período de 12 meses.

As formas mais recorrentes de automutilação são esmurrar-se, chicotear-se, cortar-se com giletes, navalhas, vidros e facas, enforcar-se por alguns instantes, morder as próprias mãos, lábios, língua ou braços, apertar ou reabrir feridas, arrancar os cabelos, queimar-se, furar-se com agulhas, arames, pregos, canetas, beliscar-se, ingerir agentes corrosivos, pregos, alfinetes etc., se bater, socar paredes e outras superfícies ásperas capazes de machucar as mãos e envenenar-se, sem a intenção de suicídio.

PERFIL DO AUTOMUTILADOR

Muitos pensam que ocorre apenas em adolescentes, mas não. Embora crescente nessa população, a automutilação é comum em adultos. Mas ainda é mais frequente em adolescentes.

Entre os adolescentes que cometem automutilam há uma predominância de meninas em relação aos meninos

Segundo um recente estudo inglês 88% dos pacientes são do sexo feminino; a idade média atual é 16 anos; o tempo médio de duração do comportamento de automutilação é de 6 anos; na maioria das vezes, o objetivo da autoagressão é lidar com a desregulação emocional; quando o objetivo é a atenção social (“chamar a atenção para o sofrimento”), o comportamento é mais comum em mulheres.

O automutilador tende a ter grandes dificuldades para se expressar verbal ou emocionalmente, portanto, não consegue falar publicamente sobre suas angústias nem chorar diante de outras pessoas. Essa dificuldade de expressão acaba, em muitos casos, sendo um forte fator que desencadeia o comportamento auto-mutilador.

Normalmente o automutilador não possui amor próprio e usualmente define a si mesmo como sendo “um lixo humano, uma criatura insuficiente e fracassada, que não tem direito de conviver com os demais“. Desse modo, alguns tendem a se afastar da família e dos amigos, buscando poupá-los do mal que presumem ser a sua presença. Com o tempo, se veem executando sozinhos atividades que costumavam fazer em grupo.

DIGNÓSTICO DA AUTOLESÃO

Segundo a Classificação Estatística Internacional de Doenças e problemas Relacionados à Saúde (CID-10), a autolesão insere-se na categoria de transtornos dos hábitos e dos impulsos.

A autolesão, dependendo do caso, pode ser tratada como doença psiquiátrica ou de cunho emocional, já que na prática observa-se que os praticantes buscam alívios e válvulas de escape para problemas emocionais, como dificuldades de relacionamento e de expressão.

De acordo com estudos psiquiátricos, o comportamento automutilante pode ser classificado em quatro categorias:

1 – Estereotipado: é bastante repetitivo, monótono, fixo, com freqüência ritmado e aparentemente comandado. As lesões tendem a manter um mesmo padrão, que pode variar desde ferimentos leves até graves que, algumas vezes, colocam em risco a vida do paciente. Em geral é associado à retardo mental, autismo  e algumas síndromes.

2 – Maior: inclui formas de autoferimentos graves, que colocam, de maneira recorrente, a vida do paciente em risco, causando danos irreversíveis como castração, enucleação e amputação de extremidades. Presente em quadros psicóticos como esquizofrenia, transtorno bipolar, transtorno da personalidade severo e transtorno da identidade de gênero. Delírios como temas religiosos são comuns, incluindo idéias de salvação, punição e tentação.

  • – Compulsivo: inclui comportamentos repetitivos, às vezes rítmicos, podendo ocorrer várias vezes durante o mesmo dia e diariamente.

 

  • – Impulsivo: é o mais comum deles, e inclui cortar a própria pele, queimar-se e bater-se. Estes comportamentos podem ser conceituados, como atos agressivos impulsivos, para os quais o alvo da agressão é o próprio indivíduo. Eles costumam ocorrer após a vivência de uma forte emoção, como a raiva, sendo vistos como forma de lidar com esta. Logo, podem ser desencadeados por uma vivência traumática ou apenas sua lembrança.

RAZÕES DA AUTOMUTILAÇÃO

A autolesão intencional normalmente está associada a pelo menos um dos seguintes casos: dificuldades interpessoais incluindo amizades, problemas escolares, sentimentos ou pensamentos negativos, tais como depressão, ansiedade, tensão, raiva, angústia generalizada ou autocrítica,  brigas com familiares e brigas com cônjuge.

O QUE BUSCAM OS AUTOMUTILADORES?

A automutilação é para muitas pessoas a válvula de escape para as dores emocionais que as acomete. No consultório em que atendo quando me deparo com um automutilador, pergunto a razão pela qual ele se autolesiona, e normalmente a resposta está relacionada com a sensação de alivio que este proporciona, argumentam que é melhor sentir a dor física do que a dor emocional.

Entre as principais finalidades com que a pessoa faz isso temos a necessidade de aliviar um estado ou sentimento negativo, como um estado ansioso, depressivo, sentimento de angústia, frustração, desespero, tensão, raiva e, até autocrítica. Também o fazem na tentativa de induzir um sentimento positivo e até como forma de lidar com as relações interpessoais.

O ato normalmente é impulsivo e ocorre para alívio imediato da situação causadora. O alívio ou resposta desejado são experimentados durante ou logo após a autolesão, e o indivíduo pode exibir padrões de comportamento que sugerem uma dependência em repetidamente se envolver neles.

COMO IDENTIFICAR UM AUTOMUTILADOR

Abaixo seis perguntas que poderão identificar um automutilador:

1 – Alguma vez você cortou ou fez vários pequenos cortes em sua pele? 

2 – Alguma vez bateu em você mesmo de propósito? 

3 – Alguma vez queimou sua pele (por exemplo: com cigarro, fósforo ou outro objeto quente? 

4 – Você costuma ter esse tipo de comportamento diante das pessoas com quem convive? 

5 – Quando praticou alguns dos atos mencionados, você estava tentando se matar? 

6 – Quanto tempo você gasta pensando em fazer tal(is) ato(s) antes de realmente executá-lo(s)?

COMO AJUDAR UM AUTOMUTILADOR

A primeira conduta a ser seguida é criar um ambiente acolhedor, considerando a individualidade de cada um, sem negligenciar suas dores psicológicas.

A partir daí, é essencial analisar e estabelecer uma relação de confiança e afetividade, buscando dialogar continuamente. É importante, também, tentar mostrar que existem outros meios de solucionar os problemas que não sejam por automutilação.

Uma grande aliada do tratamento é a terapia psicológica que permite identificar e tratar os motivos que levam a essa prática. Desse modo, o apoio profissional auxilia a pessoa a ser capaz de descobrir alternativas saudáveis para resolver suas perturbações.

Dependendo do caso, medicamentos também podem ajudar a diminuir ou cessar os episódios de autolesão o uso adequado deve ser acompanhando de uma equipe de saúde e associado à psicoterapia.

A família tem papel mais do que fundamental nessa jornada e também deve buscar apoio psicológico, quando possível.

A BÍBLIA E AUTOMUTILAÇÃO

A Bíblia diz que o nosso corpo é templo do Espírito Santo (1 Coríntios 6:19-20). Na condição de templo do Espírito Santo devemos pelo corpo que Deus nos deu.  

A Bíblia diz que somos feituras de Deus (Efésios 2:10). Esta palavra feitura no texto original tem o sentido de obra prima, sendo obra prima de Deus devemos nos valorizar.

Deus criou o ser humano a sua imagem e semelhança (Gn 1.26a e 27).

Deus demonstrou o seu amor para a humanidade através do sacrifício de Cristo (Jo 3.16).

(Levítico 19:28); Pelos mortos não dareis golpes na vossa carne; nem fareis marca alguma sobre vós: Eu sou o Senhor.A auto lesão fere um principio estabelecido por Deus no Pentateuco. 

(1 Pedro 5:7); Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.

Devemos confiar em Deus e enxergar Ele como o ser mais capaz de ajudar a lidar com as nossas demandas.

 

Psicólogo: Vinícius Carlos da Silva

CRP: 06/115803

Aguinaldo Lopes

Aguinaldo Lopes


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